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CHACOTAS, GRACEJOS E BABOSEIRAS





Já dizia o sábio: “Só abra a boca para dizer algo quando tiver a certeza de que suas palavras são mais admiráveis do que a beleza do silêncio”. Mas se nem o autor deste texto tem o bom senso de manter-se calado, por que os outros teriam? Num mundo onde a liberdade de expressão pretere quase todos os demais direitos fundamentais (quase?), exigir o bom senso no momento de expressar-se é quase uma agressão moral.
São tempos sombrios, de fato, onde ser youtuber ou blogueiro tornaram-se profissões mais almejadas que as tradicionais como os pais e mães seguem e utilizam para ganhar o dinheiro que paga a luz do pouco criativo aspirante à piadista. Mas é melhor não atirar pedras quando se tem teto de vidro... todos odeiam críticas. Inclusive este que vos fala.
Mas antes que as vacas esfriem, falemos da exacerbada defesa do tudo lícito e legitimado através das palavras que continua a fazer pobres e impotentes vítimas das mais diversas formas possíveis e inimagináveis. Não, você não é um baita escritor atrás de um computador, isso quando tem o s... (parte do órgão genital masculino, troquemos por paciência) de sentar atrás do computador para escrever o texto. Geralmente vai no celular mesmo, afinal, “é tudo a mesma coisa, não é”? Não, não é amiguinho.
Vale tudo para ganhar a risada da plateia. Vale tudo para entrar na hist... ESTÓRIA. Afinal, a que será contada jamais acompanhará a veracidade das caras sisudas e consternadas. Ficará apenas o “tapinha nas costas” dos falsos fãs que admiram mais a capacidade de arrotar asneiras por minuto, do que de fato pela capacidade de produzir um texto minimamente coeso e condizente com o momento.
“Mas que audácia este cara tem para falar de momento”?! Tudo é lícito. Tudo é permitido neste universo moribundo. Não há mais limites. Não há mais formalidades. Isso é baboseira dos radicais para tentar regredir ao tempo das carroças, onde tudo tinha que ser engomado e perfeitamente formatado. Métrica, rima e tercetos? Para que? Para que palavras rebuscadas e sentimentos expressos com sentimentalismo? Não cabe mais isto em nosso mundo. “Não somos assim”. Não existe ocasião certa ou errada! A piada é sempre cabida.
Penso que Chaplin, Jerry Lewis, Oscarito e tantos outros ficariam tão decepcionados com os atuais “comediantes” que mudariam para o drama sem nem medir as consequências. Talvez porque o momento de fato importasse para aqueles. Ou talvez porque a inteligência acima da média sempre fora um dos maiores requisitos da Comédia desde os tempos da antiga Grécia.
Mas se o problema é que não há momento, eu acredito que Ruy Barbosa perdeu grandes momentos históricos de fazer piadas em seus discursos em Haia.  Ou talvez Matin Luther King devesse emendar uma pilhéria logo após da sua célebre frase (discurso) I have a dream. Talvez estes homens não fossem tão grandes quanto o aspirante a comediante, pois acreditavam que há momentos corretos para a seriedade, para o drama e para a comédia.
Queremos uma nação que nos leve a sério. Queremos um mundo que nos leve a sério. Queremos uma sociedade que nos leve a sério. Mas acreditamos que nada é formal o suficiente para ser levado a sério. Sinto saudades quando as maiores bufonarias vinham sem palavras. Ao menos refletiam um comportamento individual e não dos representados. Nas próximas vezes, que os “comediantes” imitem mais Patch Adams do que os modelos atuais que nós temos.

P.s.: Quem não riu com Patch Adams recebendo seu diploma?



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