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AS DORES NOSSAS DE CADA DIA

O fato de as dores se revezarem torna a vida suportável.


Por Elizabeth Lucchesi

Escrever sobre as dores certamente não é lá algo muito criativo, admito.
Quem se atreve a enveredar nessas dores, provavelmente está doído ou no mínimo, convalescendo. Pois, alguém saudavelmente feliz, não haverá de se lembrar das benditas dores.
Shakespeare já dizia que todo mundo é capaz de suportar uma dor, menos quem a sente; fato. Decididamente nós, pobres mortais, não fomos feitos para sentir dor. Taí uma coisa que faz mal, que incomoda e desequilibra. Sentir dor, definitivamente é algo além de nossas tolerâncias. Falo por mim: não sei lidar com a maldita dor. Fico completamente desajustada quando elas resolvem me infernizar.
As dores físicas são um martírio; algumas doem tanto que pedimos para morrer. Graças a Deus, com o avanço cada dia mais eficaz da ciência, a medicina tem feito milagres com relação à produção de drogas que curam e aliviam as dores. Para nossa alegria e tranqüilidade.
Porém meus amigos, existe outro tipo de dor que com o perdão da palavra, derruba qualquer cristão: são as dores da alma.
Para essas, não há ungüento, quebranto, magia ou alquimia que resolva. Doem, mas doem tanto que não pedimos a morte, já nos sentimos mortos de fato.  Ai, não tem jeito: o forte vira covarde, o vaidoso perde o rebolado, o durão vira menino. Nesse momento, somos todos farinha do mesmo saco.
Dor é dor, aqui, em Paris ou na Cochinchina; e não existe isso de dor maior ou dor menor: dor é dor e pronto. A dor não tem idade, sexo, etnia, nem condição social. É dor para rico e para pobre. E não adianta tentar se prevenir, porque a danada chega sem mandar aviso ou comunicado; chega, se instala, se esparrama e nem Deus sabe até quando ficará. A fulana é voluntariosa: só vai embora quando quer e também não se despede. Por isso, de nada vale tentar abreviá-la ou prolongá-la.
A dor não vem com bula anexa: cada qual sente à sua maneira; cada um tem seu jeito de lidar com ela. E para cada um, existem efeitos colaterais diferentes. Por isso, não existem fórmulas certas, receitas, conselhos ou similares.
A dor é tão subjetiva quanto a natureza humana; em cada um ela age de forma diferente. Assim como cada um sente e reage de forma muito peculiar.  Uns preferem se isolar e chorar suas dores em reclusão; já outros, apelam para a companhia e consolo de outrem. Por isso, não adianta os palpiteiros de plantão tentarem encontrar soluções ou maneiras de encarar e conviver para as dores alheias.  
Dizem que a dor humaniza, mas isso não é regra. Há pessoas que endurecem muito com o passar do tempo, pelas dores sofridas; algumas esquecem tão rápido que nem parece que foi dor. Há ainda aquelas que levam uma vida inteira para esquecer.
Penso que o ideal é deixar que doam até se esgotarem; e choremos, porque as lágrimas aliviam e lavam a alma, além de lubrificar os olhos.
Dor não dura para sempre; chega um dia em que acordamos e percebemos que já não dói tanto assim. Sentimos ainda aquela pontinha de nada, como se estivesse arranhando, mas um belo dia, pronto. Já nem incomoda mais.
Nesse caso, temos a ajuda terapêutica do tempo, que com sua sabedoria, calma e precisão, vai transformando aquela dor em lembrança, mesmo que desagradável.
De repente, nos pegamos rindo novamente, leves e fagueiros. Certas dores deixam cicatrizes feias, que machucam durante muito tempo quando tocadas. Outras são tão pequenas e imperceptíveis que nem incomodam.
Pronto: respiramos aliviados, convictos de que estamos imunizados, que aprendemos o suficiente. Ledo engano: ainda não inventaram a vacina contra elas; as dores sempre voltam e nunca são iguais. As causas podem ser até parecidas, mas doem diferente. E, acreditem, sempre estaremos desprevenidos e despreparados para elas.
Enfim, são as dores nossas de cada dia. Vão e voltam, na dinâmica dessa maravilha chamada Vida. Viver dói, mas é bom demais!!!

Elizabeth Lucchesi
Pedagoga, Escritora e Poetisa.

Autora do blog Palavras Singulares

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