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JOGO DE FUTEBOL

(www.joaofilho.com)
Só quem nunca viveu a emoção de assistir um jogo de futebol num estádio é que não sente falta desta situação. É uma atmosfera empolgante, as torcidas dando um show a parte, poder acompanhar o jogo de perto, os radinhos de pilha com suas narrações enroladas e barulhos esquisitos para atrair a atenção do ouvinte.
Mas infelizmente, mesmo estando no “país do futebol”, este programa que era pra ser feliz e tranquilo, se tornou num campo de batalha angustiante aonde as pessoas vão com medo do que lhes pode acontecer. É uma página triste neste este esporte tão bonito e emocionante, mas que faz parte do nosso cotidiano.
(www.campoformosonoticias.com)
Costumo conversar com amigos mais novos e eles não acreditam nas minhas histórias. Houve um tempo onde as torcidas adversárias chegavam juntas e saiam juntas sem que houvesse qualquer confusão. Nasci e cresci em Salvador. Frequento estádios de futebol desde meus 03 anos de idade. Já fui a inúmeros BA-VIs.
Morava relativamente perto da Fonte Nova e ia com meus pais e meus amigos de ônibus ou à pé. Sempre chegávamos um pouco mais cedo para podermos encontrar com mais amigos. As torcidas do Bahia e do Vitória subiam a mesma ladeira. A ladeira que dá nome ao estádio. Lembro-me que lá havia um barzinho que meu pai costumava sentar para esperar os amigos antes da entrada. E neste barzinho sentavam torcedores dos dois times. A maioria se conhecia. Eles discutiam sobre os esquemas táticos, sobre a qualidade técnica dos jogadores e, quase sempre, apostavam o resultado. Tinha muita brincadeira e “gozação”, como se diz na Bahia. Mas não havia qualquer tumulto.
Quando chegava a hora do jogo, todos entravam (pela mesma entrada) e cada um ia para sua respectiva torcida. Não havia grades que impediam o acesso das torcidas. Havia uma parte do estádio que era destinado à torcida mista. Às vezes ficávamos lá. Era tudo muito pacífico. Na saída, os mesmos torcedores adversários se encontravam no mesmo barzinho para “pagar” a aposta e poder “bebemorarem”.
Mas hoje em dia, tudo isto se tornou utopia. Torcida chegam ao estádio por caminhos diferentes. Se se encontram, é batalha campal com direito a tiros e granadas. Mortes, violência, sangue, destruição e sofrimento. E o que isto tem a ver com futebol? O que isto tem a ver com aquela emoção e alegria? Brigar por um esporte que foi feito para sorrir?
É muito triste quando vivenciamos uma situação como está acontecendo aqui em São Paulo, onde a justiça determinou que apenas uma das torcidas poderiam frequentar o estádio no dia do clássico. Isto é muito triste. Acabaram com a magia. Acabaram com o espetáculo. Estádios com uma única cor. Isto é depressivo. Mas infelizmente, sou obrigado a concordar com esta medida.


Quem dera que um dia aprendêssemos a viver em harmonia. Que aprendêssemos a deixar a batalha para dentro das quatro linhas. Que pudéssemos voltar às “apostas” de mesa de bar e às comemorações pós jogo com a presença de amigos da torcida adversária. Quem dera fossemos civilizados. Sei que é um sonho. Mas um sonho possível. E este sonho começa por cada um de nós, torcedores. Respeitar o outro e viver a emoção do futebol sem permitir que esta mesma emoção nos leve a acabar com o espetáculo. E torço para que um dia este sonho se torne realidade.

Comentários

  1. Acho que eu seria das que não "acreditam" em você. Que lindo o que escreveu. Parece tão utópico hoje em dia. Mas parece ser tão óbvio. Afinal, é o que deveria ser. Simples assim.

    Blog Jovens Mães

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