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A ABOMINAÇÃO DA CHEFIA E A COMERCIALIZAÇÃO DA LIDERANÇA


Há alguns meses fui convidado para ministrar uma palestra sobre o tema de Chefia e Liderança para um órgão da administração pública municipal. Ao conversar com o encarregado e entender o perfil do universo de espectadores, percebi que era melhor partir por uma linha menos conceitual e mais prática, abordando a chefia e liderança com suas principais características e tentando levantar os principais desafios para a liderança no mundo moderno.
Enquanto pesquisava e relia alguns clássicos que abordam o assunto, pude perceber em minha pesquisa a grande quantidade de autores que se beneficia deste tema de forma comercial, vendendo determinadas ideias que eu, particularmente, não concordo. Coloquei estas observações particulares na palestra e tive um retorno muito agradável em relação a isso, por isso decidi que talvez fosse interessante abordar este assunto.
Se você for numa livraria, na seção de autoajuda hoje, vai observar um número imenso de autores que escrevem sobre este tema. Mas a primeira coisa que observo quando leio estes livros é a abominação à figura do chefe. A maioria dos autores destaca a chefia como uma coisa ruim. Eles tentam passar a ideia de que todo chefe é mau. Em contrapartida, ser líder é algo bom, algo a ser almejado por todos, como se todo líder fosse do bem.
Esquecem eles, porém, que a chefia é derivada de um sistema hierarquizado. E que ser “chefe” não é algo puramente ruim. Ser chefe é algo necessário. Qualquer instituição necessita da figura do chefe. Se este chefe será um líder, isto depende de diversos fatores, até mesmo dos subordinados. Mas talvez esta seja a principal questão: pouco a pouco a ideia de estrutura hierarquizada está sendo mais e mais abominada na nossa sociedade. E esta “venda” da ideia da liderança como algo distante da chefia é um reflexo disto. A ideia que se vende é que todos devem buscar serem líderes. Até aí tudo bem. Mas estes mesmos candidatos à liderança não são incentivados a se destacar por seus méritos visando alcançar um uma posição de destaque dentro de uma estrutura organizacional que fatalmente o levará, num nível empresarial, a uma situação de chefia.
Outro pensamento que vale ser levantado é que nem sempre o líder será uma figura benéfica, como esses autores descrevem. O líder é alguém que exerce extrema influência sobre a “massa”. E não poucas vezes na história vimos figuras líderes se utilizarem desta extrema influência para cometer as mais inúmeras maldades. Logo, creio que o estímulo à liderança tem que ser calcado em valores que tornem esse candidato a líder responsável e consciente das atitudes advindas de sua posição. E que use estes valores para conduzir seus liderados por um caminho humanitário.

Em suma, liderança sempre foi e sempre será um tema bastante discutido pelos autores motivacionais. Mas há que se filtrar o que se pesquisa e o que se lê para que não se “compre” doutrinas baseadas por ideais escusos e que deturpam certos “axiomas sociais”, como a importância das estruturas organizacionais hierarquizadas para o funcionamento produtivo da sociedade, principalmente, no viés empresarial.

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