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Aquele 1%

Eu falei que ia ter Wesley Safadão! E se reclamar, coloco Pablo!

Brincadeiras a parte, queria comentar justamente sobre este título. Na era dos Safadões e Safadonas em que vivemos, se você não é 99% anjo perfeito e aquele 1% vagabundo, você não tem a mínima chance de ser feliz. Mas eu acho que esta porcentagem, assim como a da música, está equivocada. Pelo que ele narra, por ele dizer que trata todas iguais, acho que está mais para 99% vagabundo e 1% anjo. Mas no final, é isso que todos querem hoje em dia.

Chega de tardes no cinema com o amado/amada segurando sua mão. Chega de filminho com pipoca nas tardes de sábado. Chega do romântico à moda antiga, do tipo que ainda manda flores. “Se namorar fosse bom, isto aqui [balada] tava vazio, a mulherada tava em casa”. Esta é a filosofia reinante no nosso meio.

Não importa se a pessoa tem o homem ou mulher que faz tudo por ela, que se preocupa quando tem algum problema, que leva flores quando está de cama. O importante é se aventurar pela vida dos beijos fáceis e cantadas ridículas. “Se você sorrir eu vou te cumprimentar” ou “O que você faria se eu te beijasse agora?” viraram o novo “Você é tudo pra mim” ou “Você é meu raio de sol”. Não importa se tem alguém te esperando em casa ou num barzinho (barzinho que se senta e toma cerveja) com os amigos. Aquela pessoa não irá te causar o mesmo frio na barriga que você sente ao beijar na balada.

E daí que ele (a) manda mensagem no dia seguinte ou outros dois dias só até conseguir marcar um encontro e te comer? E daí que depois de comer ele não vai ligar mais e você vai ficar que nem trouxa no sofá esperando? E daí que quando você mandar mensagem para saber como ela (e) está, vai ser tratado (a) como um (a) qualquer? Não importa! Vale a pena deixar de ser o único/a única para se tornar mais um (a). Vale a pena sofrer ao descobrir que aquele beijo não significou nada.

Este é nosso mundo, senhoras e senhores. Este é o nosso cotidiano. Um cotidiano de areia molhada pela água do mar, que na primeira onda se desfaz, deixando apenas rastros do que um dia foi uma “obra de arte”. Não se valoriza ninguém, mas que importância tem isto? Não importa que eu seja só mais um (a) num quarto preparado para práticas sado masoquista, desde que ele (a) me leve para passear num aeroplano. E daí que ele (a) abre a porta e puxa a cadeira do jantar para várias pessoas diferentes todos os dias da semana ou todos os fins de semana? “O que eu quero é ser tratado como rei/rainha por uma noite”, ainda que no outro dia eu seja tratado como bobo da corte.

Perdeu-se a beleza dos relacionamentos. Perdeu-se a magia do viver em comum. Perdeu-se a alegria de segurar a mão enquanto passeia. Briguei com meu namorado (a)? Ela (e) está brigada (o) comigo? Estou carente? BALADA NELES! Quer-se apenas uma companhia. Mesmo que ela seja fugaz. Mesmo que seja tão rápido quanto um beijo ao som de uma “Balada Boa”! Não importa se quem está esperando te levou para casa durante toda a semana para que você não passasse frio esperando seu ônibus. Isto não importa mais.

O ser humano perdeu seus valores. O ser humano perdeu a sua vocação de ser feliz em família. Estimula-se a casualidade e se repreende o duradouro. Uma vida por uma noite virou um bom negócio. Desde que meu copo esteja cheio de Ciroc e meu vestido preto curto chame a atenção de todos que estão a minha volta. Eu só quero me sentir desejado (a), ainda que quem está lá me deseje todos os dias e diga todos os dias que estou lindo (a) mesmo nos nossos piores dias. Tudo é justificável pelo Carpe Diem.


Mas fico feliz que alguns fogem esta regra. Fico feliz que escutar Barry White numa noite de amor com a pessoa que estará lá no dia seguinte ainda seja uma prática valorizada para alguns. Fico feliz que ainda existam casas noturnas que tocam músicas que atravessam o tempo e onde os nomes das festas não estimulam uma “pegação” sem sentido. E o mais legal: nessas casas tocam Rock! Então, à todos “felizes” libertinos, à todos que valorizam a leviandade, a todos os promíscuos do nosso momento nacional, meu mais sincero sinto muito. Mas prefiro pessoas que se valorizam estar com quem gosta ao som de um bom Pearl Jam, Nickelback, Bon Jovi, Dire Straits, Led, Guns, Pink Floyd, Avenged, Elton John...

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