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SUAS CINZAS

SUAS CINZAS

Dar-lhe-ei drinques em fogueira santa,
Descarte de pecados e ilusões,
Cuja queima aos céus se eleva,
Em nuvens desfiguradas que da alma emana.

O crepitar uníssono de suas brasas,
Une-se ao ranger de dentes de sua ira,
Transformando o orgulho em migalhas,
Consumindo a ingratidão e a agonia.

Labaredas ao alto cegam meus olhos.
Seu cheiro sulfídrico me entorpece.
O calor das chamas queimam meu lábios.
O som de sua fúria me emudece.

Mas, ao raiar do dia, sua labareda acalma;
Seu cheiro putrefato desfalece;
Sua melodia irritante, enfim, se cala;
O sabor plumboso de tuas cinzas permanece.
Yuri Lucchesi

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